Dos torcedores presos no Clássico-Rei, 99,5% já estão em liberdade. Especialista aponta para futuro sombrio
A falta de punição está no topo das causas apontadas por especialistas para o agravamento da violência entre membros de torcidas organizadas no Estado do Ceará. O que, para muitos, parece apenas uma teoria repetida da boca para fora, se confirmou mais uma vez, no último domingo, durante os fatos que envolveram o clássico rei do futebol cearense. Dos 204 presos ou detidos, ontem, nos arredores da Arena Castelão, pela Polícia; 203 já estão novamente livres nas ruas, ou seja 99,5% dos infratores.
Comportamento de torcedores dentro ou fora do PV e Arena Castelão tem dado trabalho à Polícia FOTOS: KLEBER A. GONÇALVES/ WALESKA SANTIAGO/ FABIANE DE PAULA/ JOSÉ LEOMAR
A falta de punição está no topo das causas apontadas por especialistas para o agravamento da violência entre membros de torcidas organizadas no Estado do Ceará. O que, para muitos, parece apenas uma teoria repetida da boca para fora, se confirmou mais uma vez, no último domingo, durante os fatos que envolveram o clássico rei do futebol cearense. Dos 204 presos ou detidos, ontem, nos arredores da Arena Castelão, pela Polícia; 203 já estão novamente livres nas ruas, ou seja 99,5% dos infratores.
Comportamento de torcedores dentro ou fora do PV e Arena Castelão tem dado trabalho à Polícia FOTOS: KLEBER A. GONÇALVES/ WALESKA SANTIAGO/ FABIANE DE PAULA/ JOSÉ LEOMAR
De janeiro do ano passado até ontem, nove torcedores do Ceará foram mortos por tricolores e três integrantes das uniformizadas do Fortaleza foram assassinados por alvinegros. E a projeção no futuro próximo é ainda mais pessimista. Nesse placar, escrito a bala e a sangue, não há vencedores. Saem derrotadas as autoridades, por demonstrarem sua incapacidade em resolver o problema; perdem os clubes, profissionais que vivem do esporte e patrocinadores que constatam uma distância cada vez maior do público dos estádios e a imagem do esporte; e perde a sociedade, sobretudo, os familiares dos mortos, a maioria jovens, que não entendem como um simples jogo nos dias de domingo, que deveria uma atividade de lazer e entretenimento para os cidadãos, transforma a cidade inteira em um verdadeiro estado de guerra praticado por vândalos e delinquentes vestidos com camisas de torcedor.
Estudo da violência
O psicólogo e professor universitário Maurício Murad, autor do livro "Para entender a violência no futebol", estuda o assunto há 23 anos. Ele já entrevistou mais de 500 pseudo-torcedores que se envolveram em situações de violência e não tem dúvidas. "Entre todas as causas que explicam o avanço dessa situação, a principal delas é a impunidade, sem dúvida nenhuma", avalia o professor.
Ele destaca Fortaleza, Goiânia e João Pessoa como os polos urbanos onde mais tem crescido o número de conflitos entre torcedores. Segundo levantamento de Murad, seis pessoas já morreram neste ano vítimas deste tipo de violência. "Na minha pesquisa, contabilizo apenas as mortes comprovadas pelo inquérito policial como consequência do conflito. Os dois homicídios que ocorreram no Ceará ainda estão sendo investigados, porém pelos depoimentos e outras características é praticamente certo que fazem parte dessa estatística", considera.
Tráfico de drogas
Conforme o especialista, a continuar o mesmo modelo atual de enfrentamento do problema, a situação tende a se agravar no Estado. Ele afirma que a situação é gerada por uma minoria inflitrada nas organizadas, mas reconhece que o envolvimento desses jovens com o tráfico de drogas tem potencializado as consequências. "É um nó violentíssimo a ser desatado pelas instituições. O casamento do tráfico de entorpecentes com grupos intencionalmente violentos é uma química poderosíssima e que gera agressões, mutilações, depredações, ataques à mídia, um conjunto de práticas violentas que culmina com a morte", relata.
De acordo com o sociólogo, o problema da violência entre torcidas é crescente no Brasil inteiro também por conta do sentimento de revanchismo. "No País inteiro, mas principalmente no Nordeste, essa característica de vingança é muito comum entre grupos rivais. Isso naturalmente também é mais um elemento para agravar a violência", diz.
Juiz sugere que pais acompanhem filhos
Os 60 menores de idade detidos pela Polícia na confusão entre torcedores rivais foi considerado o recorde no histórico dos clássicos entre Fortaleza e Ceará. Por conta disso, o juiz da 5ª Vara da Infância e da Juventude de Fortaleza, Manuel Clístenes de Façanha e Gonçalves, vai enviar, hoje, ofício para a Secretaria do Esporte, Arena Castelão e Secretaria Especial da Copa, no qual solicita que todos os adolescentes que forem aos estádios estejam acompanhados dos pais ou de uma pessoa maior de idade, que se responsabilize pelos atos dos menores.
Segundo ele, para ir a uma casa de show é preciso estar acompanhado de um maior, mas no estádio é diferente. "Acho que isso deve ser repensado. Vamos enviar ofício sugerindo mais rigor na entrada de menores", reforçou, durante audiência com os menores detidos e os pais deles, na 5ª Vara.
Ministério Público
Para o Ministério Público do Estado, o problema seria mais fortemente combatido se existisse um Juizado Especial para o futebol. "Hoje, há cerca de 200 torcedores cumprido prestação de serviço em instituições públicas no horário dos jogos. Mas ocorre que não há como acompanhar se eles estão cumprindo a lei sem a existência de um juizado próprio para isso", contou procurador e membro do Núcleo do Desporto e Defesa do Torcedor (Nudetor), José Wilson Sales Júnior.
Já o sociólogo Maurício Murad acha válida a ideia, mas crê que, sozinha, não resolve. "É preciso ações de curto, médio e longo prazo", disse.
Postada:Gomes Silveira
Fonte:Diário do Nordeste
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